Metade. Esse é o percentual da eletricidade consumida nas fábricas da Eucatex que agora vem de fonte solar.
O número resulta de um investimento de R$ 300 milhões na Usina Solar Castilho, em parceria com a Comerc Energia. Localizada no interior paulista, a usina é considerada a maior do estado de São Paulo, com capacidade de geração de 269 MWp.
O que motivou a decisão
Flávio Maluf, presidente da Eucatex desde 1997, explicou a lógica. “Buscar coisas novas está em nosso DNA. Hoje, 50% do consumo de eletricidade em nossas fábricas vem desse tipo de energia. Essa é uma grande conquista, totalmente alinhada à nossa filosofia.”
Fabricar materiais de construção consome quantidades consideráveis de energia. Fornos, prensas e linhas de produção operam continuamente em cinco unidades fabris com mais de 3.500 funcionários. Custos de energia afetam diretamente as margens.
A energia solar gera emissões mínimas de gases de efeito estufa e oferece custos mais previsíveis do que a eletricidade da rede, particularmente num país onde as tarifas flutuam com frequência.
Biomassa Completa o Quadro
Painéis solares cobrem parte do perfil energético da Eucatex. Biomassa cuida de outra.
A empresa coleta resíduos de madeira de mais de 300 indústrias parceiras num raio de 70 quilômetros da fábrica de Salto. Paletes, carretéis e sobras destinadas aos aterros são convertidos em combustível para os processos fabris. Combinar eletricidade solar com energia térmica de biomassa significa que a Eucatex utiliza fontes renováveis em múltiplos pontos da cadeia produtiva.
Certificações Que Vieram Antes
Flávio Maluf garantiu a certificação FSC para a Eucatex em 1996 e a ISO 14001 para gestão ambiental. “Em 2001, fomos a primeira empresa a receber uma certificação de produto sustentável da Home Depot”, acrescentou. “Até hoje, somos um fornecedor relevante no nosso segmento para eles.”
A Forbes Brasil posicionou a Eucatex em 81º lugar na lista Agro100 de 2023.
Investimento de Longo Prazo
Quem investe R$ 300 milhões em geração solar está fazendo um cálculo de duas décadas, não de um trimestre. Flávio Maluf antecipou certificações ambientais por anos, construiu infraestrutura de reciclagem nos anos 1990 e plantou florestas décadas antes do abastecimento sustentável se tornar expectativa de mercado. A usina solar segue a mesma lógica. Investir agora, colher depois, competir de forma diferente.